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Resumo #CouncilBR 2019: A agenda do Brasil para o crescimento econômico e desenvolvimento

Ministra da Agricultura Tereza Cristina (Imagem: Eduardo Tadeu)

Ministra da Agricultura Tereza Cristina (Imagem: Eduardo Tadeu)

September 09, 2019


• Para ver a lista completa dos palestrantes, veja a página da edição 2019 da #CouncilBR.
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A Presidente e CEO da AS/COA Susan Segal começou a segunda edição da Latin American Cities Conference em Brasília falando sobre a importância das reformas econômicas e estruturais acontecendo hoje no Brasil. Ela disse que isso criará as condições para investimentos de longo prazo e também uma base para o Brasil “crescer em todo o seu potencial.”

A Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Tereza Cristina falou sobre os novos esforços do governo federal de integrar a economia brasileira com a dos Estados Unidos e as novas oportunidades para potencializar trocas comerciais no agronegócio, já que os Estados Unidos é o maior consumidor de alimentos do mundo. Ela disse também que os objetivos do governo focam em melhorar a competitividade e atrair investimento internacional para o setor agrícola, que representa cerca de um quinto do PIB nacional e dos empregos hoje no Brasil.

O Ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro focou sua apresentação em como melhorar a resposta aos altos índices de criminalidade do Brasil—o que impede, ele disse, o crescimento econômico e a confiança dos investidores no país. Moro listou alguns programas de sua gestão no Ministério da Justiça, explicando que a luta contra a corrupção e o crime organizado e a diminuição de crimes violentos correspondem às prioridades da Presidência da República. Moro notou que desde o início de 2019, os homicídios caíram 22 por cento no Brasil em relação ao mesmo período no ano passado. Essa queda, ele disse, significa que “seis mil pessoas não perderam a vida em relação ao mesmo período no ano passado”. O ministro falou que a Polícia Federal já apreendeu 39 toneladas de cocaína no país este ano. Moro disse também que o Ministério está focado na erradicação do plantio de maconha no Paraguai, que fornece o mercado brasileiro.

O Presidente do Banco Central do Brasil Roberto Campos Neto falou sobre os planos do Banco diante da posição do país no contexto global atual, que tem indicado um crescimento econômico menor, com taxas de juro em queda. Ele defendeu a posição sólida do Banco Central no mercado externo, apresentando uma posição cambial líquida de $329 bilhões. Além disso, Campos Neto defendeu a credibilidade da economia brasileira, com a inflação controlada e um forte potencial de crescimento contínuo. Ele destacou que a projeção de inflação do mercado se alinhou com as metas de inflação do Banco dentro de uma semana, uma convergência muito mais rápida do que os 18 meses usuais do passado. Campos Neto explicou que isso mostra que o mercado acredita na capacidade do Banco Central em corrigir a inflação.  Ele também falou sobre a oportunidade de potencializar o crescimento econômico através de políticas que poderiam colocar dinheiro na economia sem gerar custos públicos como uma política de crédito imobiliário de “home equity”, que, em um cenário conservador, poderia injetar $120 bilhões na economia brasileira.

A tecnologia tem um grande papel no crescimento e desenvolvimento do Brasil, disseram os participantes do primeiro painel do dia, apresentando líderes do setor privado e moderado por Segal. Cristina Palmaka, Presidente da empresa de software financeiro SAP Brasil, disse que avanços tecnológicos estão democratizando as operações da empresa e aumentando o acesso ao crédito. Naty Barak, cuja empresa foi pioneira na tecnologia de irrigação por gotejamento em Israel, falou sobre como a tecnologia digital é chave para aumentar a produção agrícola, mesmo havendo resistência de fazendeiros tipicamente mais velhos, que não tem o mesmo entusiasmo das gerações mais novas. Na discussão sobre sustentabilidade, Alberto Raich da Kellogg falou sobre como a empresa de cereais está não só trabalhando para reduzir a emissão de carbono na cadeia de suprimentos, mas também dialogando com os fazendeiros e com consumidores que procuram informação sobre sustentabilidade. O Grupo Bayer Brazil também trabalha na expansão do diálogo, particularmente com mulheres trabalhando com agricultura, disse Marc Reichardt, pois elas tem “uma visão clara sobre a sustentabilidade, realidade e desafios.” Ele adicionou que o Brasil pode se tornar a “maior potência sustentável no mundo” em grande parte devido a uma nova geração aberta a novas possibilidades.

O Ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo falou das mudanças da política internacional do Brasil, anunciando o progresso com a entrada na OCDE como um passo à frente para a realização do que ele chamou de um “sonho de uma vida.” O ministro disse que, no passado, o Brasil tinha uma relação negativa ou limitada com os Estados Unidos, mas o governo atual busca mudar esse paradigma. Ele também chamou atenção aos esforços do governo para aumentar o comércio com a Ásia, especialmente a China e o Japão, e falou do potencial tratado comercial entre o Mercosul e a Coréia do Sul. Comentando sobre reações pessimistas de outros países em relação às mudanças políticas no Brasil, Araújo comparou essas mudanças nacionais a dores de parto e advertiu que forças escuras buscam fazer o país voltar à “estagnação e mediocridade.”

Os Governadores Flávio Dino e Eduardo Leite avaliaram seus respectivos estados e falaram sobre os desafios e as oportunidades de investimento em uma conversa moderada pela repórter da Rádio CBN Basilia Rodrigues. Dino disse que o seu Estado do Maranhão, na região Nordeste, está a caminho de movimentar 250 milhões de toneladas de cargas portuárias em 2019 e tem como objetivo aumentar esse número para 300 milhões de toneladas em 2020. Leite destacou que o Rio Grande do Sul, no extremo sul do país, tem uma grande vantagem geográfica e fortes parcerias comerciais com os países vizinhos Argentina e Uruguai. Ele também ressaltou a existência de legislação local que o governo do estado tem impulsionado para dar mais segurança a investidores. Dino, que é vindo do Partido dos Trabalhadores (PT) e tem servido em cargos públicos em períodos em que o partido estava no poder e na oposição, disse que ele acredita que a instabilidade política no Brasil faz mal ao investimento e ao crescimento econômico. Ele se ofereceu para ajudar o Presidente e servir como ponte entre os polos da política no país. Leite, do Partido da Social Democracia Brasileira, disse que hoje é mais fácil tomar posições radicais do que moderadas. Rodrigues perguntou aos governadores se eles achavam que as reformas da previdência e tributária, passarão no Congresso neste ano e ambos projetaram que a previdenciária passará, porém a tributária não é tão certa de ser aprovada.

O Ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação Marcos Pontes, um astronauta aposentado treinado pela NASA, delineou vários projetos do governo para conectar o vasto território do Brasil, onde, ele disse, o setor privado é bem-vindo a investir. Por exemplo, o Ministério está implementando um plano de três fases para prover Internet nas áreas rurais do país. O governo também está desenvolvendo uma rede de centros de tecnologia aplicada para trazer inovação a muitas iniciativas, desde projetos de dessalinização à programas na área da saúde. O objetivo maior de criar essa infraestrutura, ele disse, é para que brasileiros possam ficar em sua localidade no lugar de serem forçados a se mudar para São Paulo, por exemplo, para terem oportunidades econômicas.