Nova Edição da Americas Quarterly: Lições da história sobre a Doutrina Trump na região
Nova Edição da Americas Quarterly: Lições da história sobre a Doutrina Trump na região
A revista analisa o retorno da diplomacia do "porrete" de Washington na América Latina e o que podemos aprender com a antiga política de mão de ferro.
Leia o comunicado de imprensa em inglês e espanhol.
Nova York, 20 de janeiro de 2026 — "Como diz o velho ditado: a história nem sempre se repete, mas às vezes rima", escreve Brian Winter, autor da reportagem de capa da nova edição da Americas Quarterly. "Hoje, as ações do presidente Donald Trump na Venezuela, no México e em outros lugares têm suscitado comparações com a era mais intervencionista dos séculos XIX e XX, levantando questões sobre o que—se é que alguma coisa—a história pode nos ensinar sobre o que pode acontecer a seguir".
Winter, editor-chefe da AQ, escreve em seu artigo que a política de intervencionismo do presidente Trump na região não é novidade, citando exemplos como a ocupação direta e o controle financeiro de Theodore Roosevelt no Caribe e na América Central; o envio de mais de 20.000 soldados por Lyndon Johnson para a República Dominicana em 1965 ou a operação militar de George H.W. Bush no Panamá para depor o presidente Manuel Noriega em 1989.
No entanto, existem algumas diferenças entre a atual doutrina Trump e o ativismo dos séculos XIX e XX em relação à região: em vez de ser movido por ambições moralizantes, Trump parece ser guiado por "uma visão comparativamente restrita dos interesses dos EUA", como a necessidade de reduzir o fluxo de drogas e a migração não autorizada para os Estados Unidos, bem como o seu desejo de conter a influência da China nas Américas.
O artigo de Winter, intitulado "Já estivemos aqui antes", também afirma que a história nos ensinou a não esperar consistência: '"doutrinas" devem ser encaradas com cautela, pois os presidentes frequentemente se contradizem ou mudam de rumo. Uma lição histórica final, conclui Winter, é que sempre há uma reação negativa após o intervencionismo, uma vez que ele ajudou a impulsionar a ascensão de líderes desde Fidel Castro até Juan Perón, Daniel Ortega e Hugo Chávez.