AQ Cover Page

Share

A nova edição da Americas Quarterly: O momento espacial da América Latina

A revista analisa como os países da região estão entrando na crescente indústria espacial global em meio à rivalidade entre os Estados Unidos e a China.

Nova Iorque, 14 de julho de 2026 — "Vários países da América Latina estão surgindo como protagonistas da nova economia espacial", escrevem os editores na nova edição da Americas Quarterly. "Localizado apenas dois graus ao sul da linha do Equador, onde o planeta gira mais rapidamente e os foguetes recebem um impulso natural rumo à órbita, o Equador está atraindo investidores com a promessa de lançamentos mais baratos. Planos para a construção de portos espaciais já estão em discussão no Brasil, na República Dominicana, no Peru e no Uruguai, enquanto Argentina e Brasil já fabricam satélites que ajudam agricultores a monitorar plantações e governos a responder a desastres".

Após a abertura de capital da SpaceX, de Elon Musk, em junho, em uma oferta recorde de ações de US$ 75 bilhões, e tendo como pano de fundo a rivalidade entre Estados Unidos e China, os países da região buscam fortalecer sua independência tecnológica e estão determinados a ser mais do que um campo de disputa entre as duas potências.

Na nova edição da AQ, Laura Delgado López, referência em temas espaciais na América Latina e pesquisadora da Florida International University, escreve que profissionais do setor espacial em toda a região defendem de forma consistente soluções pautadas pela soberania. No entanto, ela ressalta que nenhum país ou empresa pode atuar no espaço de forma isolada. O objetivo não é a independência, mas a resiliência: a capacidade de gerenciar riscos e diversificar parcerias.

"A interdependência é a natureza do domínio", escreve Delgado López em seu artigo, intitulado "A busca da América Latina por soberania espacial". "Isso cria uma tensão genuína no cerne da narrativa da autonomia espacial. Reduzir a vulnerabilidade é importante, mas não deve ser confundido com buscar independência tecnológica total".

Juan Pablo Toro, pesquisador sênior do centro de estudos AthenaLab e professor de jornalismo da Pontificia Universidad Católica de Chile, é autor de outro artigo da edição. Nele, descreve os portos espaciais existentes e planejados na região, a determinação dos governos latino-americanos em participar do crescimento da indústria espacial e os principais desafios que enfrentam.

O programa histórico de satélites do Brasil

Satellite

 

Emilie Sweigart, editora da AQ, escreve sobre os planos do Brasil de colocar em órbita duas novas unidades do satélite Amazônia-1 como parte de uma missão para observar e monitorar o desmatamento na Amazônia e em outras áreas naturais e agrícolas.

As ambições globais da Argentina no setor de satélites

Saocom

 

O programa de satélites SAOCOM da Argentina se destaca como um raro exemplo de investimento estratégico contínuo em um período de restrições fiscais, escreve o jornalista Horacio Aizpeolea, de Buenos Aires. Ele também assina uma segunda reportagem sobre como a empresa Satellogic está levando seus concorrentes a repensar quem controla o espaço.

A América Latina tem uma agência espacial

Andres Manuel Lopez Obrador and other CELAC leaders

 

A jornalista Cyntia Barrera Díaz, baseada na Cidade do México, relata como a Agência Espacial Latino-Americana e Caribenha (ALCE) enfrenta questões urgentes relacionadas ao apoio político e ao financiamento de suas atividades no futuro.

A última fronteira da América Latina

Susan Segal

 

Na indústria espacial, o setor privado não pode atuar sozinho, escreve Susan Segal, presidente e CEO da AS/COA. Segundo ela, os governos precisarão oferecer o marco regulatório, a infraestrutura e, em alguns casos, o capital necessários para garantir o sucesso do setor.

Também nesta edição:

  • Robert Muggah, cofundador e diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, apresenta soluções para a crise do sistema prisional e o crescimento da população carcerária na América Latina.
  • Cidadãos e líderes estão abandonando os princípios da democracia liberal na América Latina, escrevem os acadêmicos Juan Pablo Luna, Andrés Malamud e Alberto Vergara. Eles analisam o que pode reverter essa tendência.
  • Renata Keller, professora associada de História na Universidade de Nevada, relembra como a crise dos mísseis de Cuba abalou o hemisfério.

A edição completa está disponível em americasquarterly.org.

Veja o PDF.

Para solicitar entrevistas com os autores ou autorização para publicação de conteúdo, entre em contato com a equipe de Relações com a Mídia da AS/COA pelo e-mail mediarelations@as-coa.org