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Entrevista com o Gabriel Chalita, Deputado Federal e Candidato a Prefeito de São Paulo

March 21, 2012

Doutor em Filosofia do Direito e em Comunicação e Semiótica, Gabriel Chalita deu início à carreira política aos 19 anos, como vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira Paulista. Exerceu os cargos de secretário da Juventude, Esporte e Lazer e de secretário da Educação do Estado de São Paulo; neste último, instituiu os Programas Escola da Família, Escola de Tempo Integral e Caminho das Artes. Foi também presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação por dois mandatos e vereador da cidade de São Paulo. Atualmente, é deputado federal pelo PMDB-SP, eleito com mais de meio milhão de votos; professor da PUC–SP; professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Complexo Educacional FMU; membro da Academia Brasileira de Educação e da Academia Paulista de Letras; e palestrante. É candidato a prefeito da cidade de São Paulo.
 
Entrevista realizada por Rachel Glickhouse.


AS/COA Online: Poderia falar um pouco sobre seus planos na área da educação?
 
Gabriel Chalita: Eu acredito que a educação é a principal política pública porque ela melhora as outras políticas públicas. Quando você consegue desenvolver um bom projeto educacional, você faz com que a mão de obra seja melhor, faz com que as novas empresas que começam a surgir possam ter condições de ter uma mão de obra qualificada. Então, eu acho que um dos grandes desafios que nós temos hoje é melhorar a nossa educação. Hoje, o Brasil é uma potência econômica: o mundo reconhece o Brasil como um líder econômico, mas a gente tem que reconhecer que nós ainda temos sérios problemas educacionais, e o nosso desafio está ali: em resolver a nossa educação básica, fazer com que essa educação básica seja uma educação de qualidade, em formar melhor os nossos professores, em valorizar financeiramente os nossos professores, envolver mais os pais nesse processo e fazer com que a criança estude o dia inteiro na escola. Isso para mim é uma obstinação. Eu acho que se a criança não estudar o dia todo, ela não vai ter condições de competir com outras crianças que têm condições financeiras melhores.
 
AS/COA Online: Poderia falar um pouco sobre seu plano das creches?
 
Chalita: A cidade de São Paulo tem hoje quase 200.000 crianças que precisam de vagas nas creches e não têm. Eu acho que há algumas políticas públicas que nós podemos esperar para resolver. Com o tempo, precisa construir escolas, precisa ampliar. Não vai ser de uma hora para outra que nós vamos ter todas as escolas em tempo integral, porque precisa que se construam mais escolas, que façam adaptações nessas escolas. Mas no caso das creches, a solução do problema é uma questão de urgência. Então, que que eu faria, se Deus quiser, como prefeito de São Paulo? Traria as faculdades particulares que nós temos em São Paulo, as públicas também, e pagaria um per capita para essas faculdades, para que todas as faculdades tenham creche, e com isso a gente tira, resolve esse problema sério para a mãe paulistana, para o pai , para a família de não ter onde colocar as crianças. Então essa criança de zero a três anos, ela precisa ser cuidada. Isso é fundamental. Eu acho que em menos de dois anos a gente consegue tirar todas as crianças das casas ou das ruas ou de qualquer lugar e colocar essas crianças num local em que elas possam ser cuidadas com dignidade.
 
AS/COA Online: Durante a sua apresentação, mencionou as UPPs do Rio. Pensa em fazer algo parecido com o plano UPP em São Paulo?
 
Chalita: A UPP acabou sendo uma alternativa muito inteligente que o governo do Rio utilizou. Eu acho que a segurança do Rio é um pouco diferente da segurança de São Paulo, porque o Rio tinha esses problemas de áreas de favelas em que a polícia não entrava. Em São Paulo, o nosso maior problema de segurança não está nessas áreas - ele está espalhado na cidade. Então, que que eu acho? Ali precisa de uma parceria muito grande do governo municipal, estadual e federal. As polícias lá, diferente aqui de Nova Iorque em que a responsabilidade é da cidade, do município, as polícias fazem parte do estado. É o governo que tem responsabilidade pelas polícias. Então, a polícia tem uma ação importante. O governo federal com a polícia federal também tem uma ação importante. A prefeitura tem que melhorar a cidade, tem que iluminar a cidade. Olha, só de nós iluminarmos bem a cidade já é um caminho para minimizar os problemas de violência. Portanto, nós estamos estudandando alternativos, como monitorar regiões onde há uma grande quantidade de assaltos na cidade de São Paulo, ajudar a polícia a ter mais inteligência para resolver esses problemas. Mas, eu acredito que a redução da violência precisa de duas políticas: uma de segurança e outra preventiva. A política preventiva também é muito importante. A política preventiva para mim é educação e políticas sociais.
 
AS/COA Online: Poderia falar um pouco sobre os seus planos para o metrô de São Paulo?
 
Chalita: O metrô sempre teve uma boa aprovação da população. Hoje a população não aprova da mesma forma porque está muito lotado, muito cheio. Precisam construir novas linhas. O responsável pelo metrô é o governo estadual, e ele consegue fazer em um mandato uma linha de metrô. A minha ideia é que a gente consiga fazer quatro linhas de metrô e a prefeitura ajudando o estado e trazendo o governo federal para ajudar junto. Esta é a visão que eu tenho do prefeito: ele é o líder da cidade, é o quem traz as forças políticas, as forças governamentais para atuar juntos na solução dos problemas da cidade. Eu acho que o ônibus também é importante como política de transporte público, mas a política essencial é o metrô. Porque o ônibus ocupa o mesmo espaço que o carro, e ampliar corredores de ônibus e corredores com ultrapassagem significa diminuir espaço para os carros também. Então, sempre essas avenidas vão brigar— ônibus e carro. No caso do metrô não; metrô ocupa um outro espaço, então tem que investir mais no metrô e melhorar os ônibus também. 
 
AS/COA Online: Qual seria seu plano para ajudar mais crianças a entrar nas universidades públicas depois de passar pelo sistema de educação público?
 
Chalita: Tem que melhorar a escola pública, porque não pode piorar  a universidade para que os alunos que não tem condições entrem na universidade. Tem que melhorar a escola pública. Aí que eu volto na tese das escolas em tempo integral, em professores bem formados, trazer os pais para ajudarem. Nos Estados Unidos há essa consciência muito grande da participação da família na escola. Nós precisamos ampliar isso lá. A família tem que participar da escola para que ela possa melhorar a escola. Nós temos algumas excelentes escolas públicas, mas poucas em relação a quantidade de escolas públicas que nós temos. Por exemplo, hoje a USP que é uma das principais universidades, 12 a 15 por cento dos alunos que entram vêm dessas boas escolas públicas, mas 85 por cento vêm das escolas privadas. Então, acho que não é piorar as privadas nem a universidade, é melhorar as públicas para que esses alunos tenham condições de igualdade para ingressar numa universidade pública também.
 
O ProUni é um programa do governo federal que nasceu de um programa nosso que é a Escola da Família e que ajuda esse aluno da escola pública a entrar numa faculdade privada. Eu acho que é muito interessante porque ele abre um pouco essas possibilidades de estudar. Se a gente está crescendo esse número de vagas pelo ProUni, desobriga um pouco o estado abrir muitas universidades públicas. Não é que o estado não deva ter universidades públicas, mas, fundamentalmente, o estado tem que cuidar primeiro da educação básica. Acho que se enquanto a gente não resolver o nosso problema de educação básica, elementar, a gente não vai ter uma boa educação, porque o problema está na base.
 
AS/COA Online: Qual seria o seu grande sonho para a cidade de São Paulo?
 
Chalita: Unir essas duas São Paulos. A São Paulo que tem com a São Paulo que não tem. A São Paulo rica com a São Paulo pobre. A São Paulo que dá oportunidade. A São Paulo que cuida bem da saúde. A São Paulo que é um centro de referência internacional, que tem os melhores hospitais, os melhores médicos, os melhores restaurantes, com a São Paulo que ainda está desprovida dessas boas condições de desenvolvimento. Acho que o meu sonho é unir essas duas São Paulos, fazer a ponte entre as duas São Paulos.