People in front of the White House

Demonstrators outside the White House. (AP)

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Brian Winter ao O Globo sobre a atual política externa dos EUA para a América Latina

By Renato Vasconcelos

"A atitude e as políticas de Trump são bastante típicas na história de dois séculos de Washington na região", diz o editor-chefe da Americas Quarterly.

A ação dos EUA na Venezuela em 3 de janeiro revelou o papel central do uso da força na política externa americana implementada pelo governo Donald Trump—que, apesar de impressionar pela contundência, não é uma novidade na abordagem de Washington na região, na avaliação do analista político Brian Winter, brasilianista e editor-chefe da Americas Quartely, que há mais de 25 anos segue de perto as relações EUA-América Latina. Em conversa com O Globo, Winter afirmou que a centralização no presidente da definição e execução da política externa aumentou a imprevisibilidade das ações americanas na região e classificou como possíveis novas ações militares, inseridas na leitura de segurança nacional da nova Casa Branca. Leia trechos da entrevista:

O Globo: O que o ataque à Venezuela transmite sobre a atual política externa americana?

Winter: A operação confirma que Trump tem outra lista de regras para a América Latina—uma versão "mais Trump do Trump". Ele é um presidente que crê no poder, que, quando se pode fazer alguma coisa, tem-se o direito de fazer. As ações e palavras dele e de seu entorno deixam claro que eles não têm tantas dúvidas quando se trata de operações no Hemisfério Ocidental, que veem um imperativo de agir e proteger o que enxergam como a esfera de influência dos EUA. Para o resto do mundo, os EUA ficam limitados pela opinião doméstica, após a experiência das duas guerras no Iraque e no Afeganistão.

O Globo: Mas dentro dessa lógica de "esferas de influência", não há um padrão duplo, considerando que os EUA dedicaram quase um capítulo inteiro da Estratégia de Segurança Nacional à contenção da China na Ásia?

Winter: Trump não escreveu esse documento. A estratégia reflete o pensamento de gente no entorno dele. Ela não deve ser descartada, mas vimos, desde o primeiro mandato (2017-2021), uma luta permanente entre o presidente e os seus assessores. Em entrevista recente ao New York Times, ele disse que o que a China faz com Taiwan está nas mãos de Xi Jinping. É mais um sinal de seus verdadeiros instintos. O que sabemos do primeiro mandato é que, após uma declaração como essa, os assessores chegariam para explicar ao presidente por que ele tem que proteger Taiwan. Seria quase engraçado, mas estamos falando de coisas graves, de geopolítica e o futuro da segurança do mundo...

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