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Brian Winter em entrevista à Folha de S. Paulo sobre negociações entre EUA e Cuba

By Isabella Menon e Daniela Arcanjo

A proximidade de Cuba com China e Rússia "é um problema estratégico para a segurança nacional americana", diz o vice-presidente de AS/COA.

"Como sabem, circularam nos últimos dias relatos sobre possíveis contatos entre Cuba e o governo dos Estados Unidos. Consideramos apropriado informar à nossa população que, de fato, ocorreram intercâmbios entre autoridades de ambos os governos."

Com o anúncio televisionado na sexta-feira (13), o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admitiu que o regime está falando com o governo de Donald Trump após três meses de bloqueio de petróleo, o que levou a ilha a um colapso energético. [...]

"Tudo indica que poderia ser uma transição, não idêntica à da Venezuela, mas com a mesma ideia de negociar mudanças dramáticas", afirma o analista político Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly.

Para ele, o segundo mandato de Trump representa uma oportunidade histórica: o presidente enxerga em Cuba a possibilidade de realizar algo que nenhum antecessor conseguiu —promover uma transição econômica e política negociada, sem recorrer à intervenção militar. "Cuba é um problema estratégico para a segurança nacional americana", afirma ele, em referência à proximidade de Cuba com China e Rússia.

O analista reconhece, porém, que qualquer iniciativa americana terá limites práticos. Conflitos em outras frentes —como a guerra no Irã— disputam recursos e atenção do governo, o que pode desacelerar as ações em relação à ilha.

Ainda assim, Winter acredita que mudanças graduais são prováveis, conduzidas por pressão econômica e acordos políticos. "O governo cubano terá que negociar", afirma. Havana, no entanto, oferece desafios específicos...

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