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Por qual caminho a Venezuela seguirá?

February 17, 2014

Os defensores da democracia global e os observadores dos direitos humanos que estão usando os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi para chamar a atenção para os abusos do regime russo, que supostamente não tolera as opiniões da oposição, ignoram a situação na Venezuela, talvez muito mais séria.

Indignados com o que consideram a deterioração acelerada da economia, a criminalidade em alta e o ambiente político polarizado, os estudantes tomaram as ruas na semana passada para protestar. Foram recebidos pela polícia e pelos defensores do governo. Três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

Embora alguns expoentes do governo e da oposição peçam calma, novos protestos poderão ocorrer, principalmente às vésperas do primeiro aniversário da morte de Hugo Chávez, no dia 5 de março. O governo convocou contraprotestos, e tomou medidas para limitar a divulgação de notícias, emitindo mandados de prisão contra representantes da oposição. Ao mesmo tempo, o presidente Nicolas Maduro chamou opositores de “fascistas”, e um integrante do partido governista na Assembleia Nacional acusou o líder da oposição, Leopoldo López, de ser um “assassino covarde”.


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Infelizmente, o governo não tem respostas concretas para as principais reivindicações dos manifestantes. A principal fonte de receitas do país, a companhia petrolífera estatal PDVSA, foi absolutamente politizada, a ponto de a produção ter caído mesmo no forte mercado global de energia. O governo desencadeou um ataque contra o outro responsável pela economia, o setor privado, confiscando bens, controlando preços de forma arbitrária e restringindo o acesso às divisas fortes. Os investimentos secaram, a produção está parada e uma inflação galopante distorce os mercados e cria uma profunda escassez de produtos básicos. No meio tempo, as estatísticas mostram que a criminalidade está acelerando enquanto o tecido social se esgarça, circunstância que se tornou particularmente clara no início deste ano com o assassinato da ex-Miss Venezuela Monica Speer.

Não surpreende que os estudantes tenham poucas esperanças num futuro produtivo nas atuais condições e queiram ir para a rua para protestar. Entretanto, em vez de atender às suas reivindicações, que vem de longa data e se tornaram cada vez mais urgentes, o governo preferiu tratar dos sintomas – e o faz de uma maneira que fere a democracia. Os líderes da oposição são alvos de ameaças e perseguições e emissoras independentes foram obrigadas a sair do ar. Neste contexto, a comunidade internacional deveria agir fora da Venezuela condenando unanimemente as ações antidemocráticas e insistindo para que sejam adotadas medidas coerentes com a Carta Democrática Interamericana, que Chávez assinou em 2001.

Agora, a questão é o que acontecerá, e que rumo a Venezuela tomará. Em grande parte, isso depende da oposição. Apesar dos esforços do governo para esmagar os protestos, é possível que a oposição se sinta fortalecida e não esteja mais disposta a aceitar o caminho tomado pelo país há 15 anos.

Sem dúvida, a esperança do chavismo é que os protestos acabem e o mundo continue a ignorar a Venezuela. Se mantiver o controle sem violar ainda mais os princípios democráticos, ótimo, mas esta não parece ser uma prioridade para Maduro no momento. O futuro do país continua indeterminado.